quinta-feira, 10 de julho de 2014

I Guerra Mundial e a Filosofia

Nessa época de imperialismos em guerra, nacionalismos surgindo como ideologia, movimentos sociais no limite da tensão, revoluções socialistas, etc... Heidegger lança em 19 “Ser e tempo”, sua obra principal e marco da filosofia que pensa a temporalidade no mundo e do ser-aí, o existente, nele, incluindo a nós que pensamos isto. E tb Wittgenstein escreve nas trincheiras da guerra o “Tratactos Lógico-filosófico” que é uma resposta a B. Russell, criticando sua noção de uma classe que não é classe de si mesma e mostrando que sim, é e o pensamento e o mundo, esta relação, semelhante a questão heideggeriana. Depois pensará a temporalidade nas “Investigações filosóficas” e a linguagem e Heidegger mergulhará no ostracismo entrincheirando-se contra a modernidade na poesia pósmoderna fascista.

10.7.14


terça-feira, 1 de julho de 2014

ARGENTINA E CORTE INTERNACIONAL / CONSTITUIÇÃO GLOBAL

Este novo conflito entre um tribunal americano e depois a côrte suprema americana com a dívida da Argentina pelo que pude ver até agora é uma afronta à soberania dos países e algo ideológico.
Deveria haver uma corte internacional para esses casos!!!

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Foucault, a Argentina e os abutres

Por Luiz Gonzaga Belluzzo
O mundo se abriu para o novo milênio dominado por certezas que pareciam murchar sob as inclemências da crise financeira. As aparências enganam, ensina o conselheiro Acácio. Depois da crise, os porta-vozes desse quase consenso, economistas e quetais, entre cautelosos e envergonhados, recolheram-se ao silêncio momentâneo. Passado o vendaval que ajudaram a semear e já agarrados aos salva-vidas lançados pela "famigerada" intervenção dos governos, os maganos voltaram a tonitruar seus dogmas enquanto, nas sombras da impunidade, entregam-se a tortuosas e acrobáticas manobras de reafirmação de seus poderes.
Nas últimas semanas, o mundo tomou conhecimento da vitória obtida contra a Argentina pelos "fundos abutres", tambem conhecidos pela alcunha de hedge funds. A vitória foi lavrada pela decisão de um juiz de Nova York, mais tarde confirmada pala Suprema Corte, que recusou o recurso apresentado pelos advogados do país sul-americano.
A decisão da Justiça americana assombra o mundo dos vivos ou dos sobreviventes com o espectro do finado "Currency Board" do dr. Domingo Cavallo. Destilado das retortas dos alquimistas da finança internacional, o Plano Cavallo forjou um regime de conversibilidade plena com taxa de câmbio fixa. O peso era tão forte quanto o dólar, proclamava o então celebrado ministro da Economia argentina.
A derrocada dos preços dos títulos soberanos argentinos atraiu o que há de pior em Wall Street e adjacências
Acolitados pelos saberes do FMI e adjacências, os alquimistas do peso forte lançaram o país na trágica crise cambial e monetária de 2001/2002. Nuestros hermanos ainda pagam a conta do regime de conversibilidade que, entre outras façanhas, estimulou a emissão de dívida pública em moeda estrangeira e entregou mais uma vez a economia Argentina aos humores dos investidores internacionais.
Entre 2005 e 2010 a Argentina concertou com a maioria dos credores a reeetruturação de sua dívida. Foi efetuada uma troca de dívidas ("debt swap"), na verdade uma mudança nos termos em que a dívida deveria ser paga. 93% dos credores aceitaram a proposta do devedor. Mas, a derrocada dos preços dos títulos soberanos argentinos atraiu os picaretas da finança - o que há de pior em Wall Street e adjacências. A chusma de malfeitores entrou no mercado para comprar a gororoba apodrecida com descontos que chegavam a 80% do valor de face. É de se perguntar se esses espertalhões e trapaceiros da finança global estimaram corretamente os riscos de carregar papéis que o próprio mercado precificava de forma tão desdenhosa.
É óbvio que sabiam muito bem o que estavam fazendo: confiaram na Justiça americana. Agora todos os credores estão habilitados a receber o valor integral dos títulos soberanos da Argentina. O país tem US$ 30 bilhões de reservas e o valor da dívida vai a mais de US$ 100 bilhões.
Michel Foucault morreu há 30 anos. Um dos pensadores mais fecundos do século XX, Foucault, sabem seus admiradores e detratores, não é economista. Talvez por isso tenha compreendido com maior abrangência e profundidade o significado do intervencionismo neoliberal. Contrariamente ao que imaginam detratores e adeptos, diz ele, o neoliberalismo é uma "prática de governo" na sociedade contemporânea. O credo neoliberal não pretende suprimir a ação do Estado, mas, sim, "introduzir a regulação do mercado como princípio regulador da sociedade".
Foucault dá importância secundária à hipótese mais óbvia sobre a arte neoliberal de governar, aquela que afirma a imposição do predomínio das formas mercantis sobre o conjunto das relações sociais. Para ele "a sociedade regulada com base no mercado em que pensam os neoliberais é um sociedade em que o princípio regulador não é tanto a troca de mercadorias quanto os mecanismos da concorrência...Trata-se de fazer do mercado, da concorrência e, por consequência da empresa, o que poderíamos chamar de 'poder enformador da sociedade". Domingo Cavallo foi um perfeito intervencionista neoliberal. Já no Brasil, em artigo publicado na " Folha de S. Paulo ", um luminar da finança atribuiu a enroscada da Argentina ao "intervencionismo" do governo atual.
As práticas e tramoias do neoliberalismo não se coadunam com os princípios do liberalismo clássico e sua imaginária concorrência perfeita protagonizada por um enxame de pequenas empresas sem poder de mercado. A concorrência louvada pelos neoliberais admite a "centralização" da propriedade e o controle dos blocos de capital, comandado pela nova finança e suas inovações. Isto foi realizado mediante a escalada dos negócios de fusões e aquisições financiados com elevados índices de alavancagem e alentados pela forte capitalização das bolsas de valores nos anos 80, 90 e 2000, a despeito dos habituais escorregões de "ajustamento" de preços quando a decepção das expectativas dispersa a manada. (No que diz respeito ao crescimento e ao emprego, as economias desenvolvidas ainda apresentam desempenho medíocre, isso quando não resvalam para quedas no PIB. Mas os índices das bolsas de valores chegam aos píncaros da capitalização e devolvem com sobras a riqueza destruída na crise, embaladas pela liquidez injetada pelos Bancos Centrais.)
Na arena global, as instituições financeiras estão cada vez mais acumpliciadas à política dos interesses. Necessitam do apoio de condições institucionais e legais construídas sob o domínio doutrinário e ideológico do establishment, para não falar escancarada cumplicidade financeira dos parlamentos e dos tribunais. Sem esses apoios cruciais não podem adestrar seus músculos na disputa pela partilha da riqueza em todos os rincões do planeta. As forças da finança e da grande empresa dependem do apoio e da influência política de seus Estados Nacionais para penetrar e operar em terceiros mercados: acordos de garantia de investimentos, patentes e, como o demonstra o caso argentino, estabelecimento de foros "adequados" para dirimir conflitos.
Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp e escreve mensalmente às terças-feiras. Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists.

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Leia mais em:
http://www.valor.com.br/opiniao/3599790/foucault-argentina-e-os-abutres#ixzz36GuMS3qJ

Eis aí uma análise interessante e, considero, pertinente. Inclusive criticando M Foucault e sua apelação econômica.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

ESFERA PÚBLICA GLOBAL - POSTAGENS

Este  livro postado hj sobre a esfera pública global reflexiva é uma resposta à globalização pela via da reflexão cultural crítica do processo do crescimento e expansão econômica. Sua consistência acompanha o que já ocorre em algumas partes do mundo e é teórica e praticamente apresentável no modo de reconstrução do mundo cultural [da "vida"], no processo de modernização reflexiva.
Só a concepção já é interessante. Diante da estilhaçamento no processo, há uma ação possível, razoável e organizada.

domingo, 8 de junho de 2014

EUROPA - ABERTURA PARA O MUNDO

A POLÍTICA EUROPÉIA DEVERIA SER DE ABERTURA PARA O MUNDO, DE PARTICIPAÇÃO DEMOCRÁTICA E DAS POLÍTICAS SOCIAIS... E NÃO DE TEMER O MUNDO, DE CORTAR A COOPERAÇÃO E SER ASSISTENCIALISTA APENAS E APOIAR GUERRAS E OTAN. Desde a COP 15 na Dinamarca que houve uma retração da europa na participação mundial política e cultural, uma coisa entimidada.  A política de cooperação econômica e científica-tecnológica foi cortada e quem liderou isto foi o representante das relações exteriores da Alemanha. Foi e é um equívoco. Porque a social democracia não é algo válido e funcional hj? Pois se é justamente isto o que há de melhor, o que se espera da sociedade e da democracia.
A europa precisa se abrir de novo, mostrar seus valores democráticos e humanistas, e sociais. Deixar de favorecer biçlhonários do sistema financeiro e produtivo; deixar de seguir os eua, que tem sua política econômica atrelada aos financiamentos exteriores. Deveria comprar os títulos das dívidas dos estados e aliviar os países em sua gestão para o crescimento deles e da renda da população. Deixar pra lá os EUA. Há enorme equívoco até ideológico aqui.
O que há é uma política muito conservadora. Tem de mudar isto.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

MUDAR A ESTRATÉGIA NA EUROPA

Fazer uma política de austeridade que defenda o capital mas que seja uma liberdade de propriedade apenas, só de poder, é um valor tb. mas que pode ser criticado. Quando se pretendeu ser apenas um poder na relação com o mundo da economia global e o restante da europa, abriu-se mão da participação dos europeus, da europa e isto é antidemocrático, uma estratégia ruim, inclusive em termos econômicos, pois é preciso que os outros países e populações tenham como ficarem bem e sair da crise e participarem da globalização. Um paternalismo estranho que acaba em burrice, dá margem ao xenofobismo, nacionalismo burros, preconceitos na política, fascismos.

VALORES E PRINCÍPIOS NA POLÍTICA

Quando se está falando de solidariedade não é , aqui, uma compaixão, uma ajuda aos outros países. Estou falando em valor, em princípios, em lutar pelo bem estar social, em lutar pela democracia e, por isto, ter posições políticas pelo regime democrático que é a pluralidade e partidos, a liberdade política e social: isto é um bem, um valor. E é racional. Ouça a eleição que levou à coalizão socialdemocrata com a CDU, pois que se busca esta integração política. Estou falando, inclusive, de defender a solidariedade como valor!
Para que as posições políticas em suas relações com a economia sejam favoráveis à democracia, ao bem comum, à participação popular, social, aos interesses do cidadão, do que ele quer para a sociedade da qual faz parte, da união européia e do mundo. Está se preocupando com os outros países da união européia e, não, dizer que são uns folgados, que não trabalham, uns preguiçosos. Isto é preconceito que leva ao racismo quando a crise financeira é o problema de fato, um problema tão grave que se tem de ter políticas próprias para superá-la. Então, a liberdade do governo é de suas políticas diante da realidade econômica da crise. Não vamos falar, agora, de preconceitos xenófabos.

sábado, 31 de maio de 2014

EQUÍVOCOS NA UNIÃO EUROPÉIA

Esta acontecendo aquela coisa de ir em frente fingindo não ver o que etsá acontecendo: a crise na união européia, crise econômica!
Não enxerga, não vê, não ouve, vai em frente, sem ver o que está a seus pés, o chão em que pisa.
A economia alemã vai bem por conta de China e não devia olhar só para sí mas para a união européia toda. Merckel teve uma posição retrógada, ultraconservadora, com os países do sul, um preconceito inaceitável, enquanto os eua continuavam a fornecer moeda barata para aplacar a crise. Nisto, a alemanha andou pela linha contrária, não entendeeu esta "solidariedade" necessaria para a unidade econômica e política européia e do mundo para atravessar a crise: Quis ser oportunista, dar o "pulo do gato" e se equivocou, pois apenas responde às pressoes da economia na energia e desenvolvimento, não tendo está pretensa liberdade do livre-arbítrio, era uma piada, uma farsa. O estilo alemão de ser burro, ignorante, cego, de viseira, puxando a carroça. Estava e está apenas seguindo o que a economia propicia e exige e sendo assim deveria buscar mais solidariedade para com os outros países e o mundo, diferente daqueles políticos do partido liberal, aquele ministro das relações exteriores, que era um idiota, um bobo, extremamente elitista.
Portanto, lendo esta crítica de Habermas a eleição da UE, só posso ver que a crise continua, política e econômica, pois está desorientada achando que não está.

A ECONOMIA NA POLÍTICA - EUROPA E O MUNDO

O problema na Europa é econômico. Aí se pode entender os posicionamentos políticos ocorrentes. Aliança da "direita" com os ricos e industriais etcc... e banqueiros é obvia, eles acreditam nisto, que a sociedade deva ser assim. De tal maneira que a social democracia busca um entendimento com o sistema produtivo, econômico e financeiro sem perder de vista o social e político, aliás para não perde-lo de vista.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

11.09 E A RACIONALIDADE


Criticar, analisar,buscar entender o 11 de setembro, encontrar as justificativas,etc...é democrático e racional, não é "sentimento anti-americano"; é normal!!!  E eventualmente até encontrar suas razões.
Não se deve ser emocionalista nisto tb.

22.5.14

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Entrevista de Th Piketty a um jornal brasileiro




O rock star da economia

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Por Assis Moreira | De Paris
Reuters / ReutersPiketty: 15 anos de pesquisas produziram dados inéditos, com utilidade permanente para os debates sobre desigualdade
Em seu modesto escritório na Escola de Economia de Paris, quase na periferia da capital francesa, Thomas Piketty, o economista mais famoso do momento, não demonstra qualquer afetação e parece reagir genuinamente com humildade ao estrondoso sucesso de seu livro. "O Capital no Século XXI" é uma obra (de 970 páginas em francês e 685 em inglês, mas de idêntico conteúdo) sobre a história do dinheiro, do patrimônio e do aumento da desigualdade no mundo, que tende a se tornar incontornável no debate econômico.
Ao receber o Valor, Piketty confirma que assinou contrato para a publicação do livro em português - no Brasil será editado pelo Intrínseca - e que os direitos autorais já foram vendidos para publicação em outros 20 idiomas. Comenta, com naturalidade, que já foram vendidos 250 mil exemplares nos Estados Unidos, dos quais 150 mil nas últimas duas semanas. Na maior economia do mundo, Piketty tornou-se uma espécie de economista "rock star". O auditório para sua palestra na City University de Nova York, no mês passado, estava tão repleto que obrigou à transmissão, por canal fechado, para outro espaço. Ele foi depois à Casa Branca, em Washington, a convite do secretário americano do Tesouro, Jacob Lew, para discutir as conclusões de seu livro.
Piketty diz que se trata de 15 anos de pesquisas não só dele, mas de um grupo de economistas, que cita nominalmente. Depois, reconhece que seu mérito é o de mostrar, pela primeira vez, dados sólidos para um debate permanente sobre a desigualdade.
Ele argumenta que a tendência geral é de haver mais desequilíbrio nas sociedades, e não de maior igualdade econômica. Uma de suas principais conclusões é que o mundo vai na direção de um capitalismo patrimonialista, com acumulação de renda ininterrupta enquanto persistir uma taxa de retorno financeiro bem mais alta do que o crescimento da economia.
Piketty desmonta a tese de que o mundo desenvolvido vive numa meritocracia, um sistema em que desigualdades ocorrem num contexto de prevalência da seleção por mérito e dedicação ao trabalho, mais do que por influência de fatores relacionados a filiação e renda.
Na verdade, afirma, o discurso de meritocracia fica longe da realidade: na lista dos bilionários da revista "Forbes", 60% têm fortuna herdada. E numa sociedade dominada pela riqueza, dinheiro compra poder e a desigualdade não é eliminada.
É sua convicção que a dinâmica mundial de acumulação e repartição de patrimônios vai na direção de trajetórias explosivas e espirais de desigualdade fora de controle. "Não há piloto no avião, nessa história", disse Piketty na entrevista.
Sobre a situação nas economias emergentes, ele acha que os rendimentos mais altos vão continuar obtendo uma parte desproporcional do crescimento da produção, mas o ritmo de aumento poderá ser atenuado pela expansão da economia.
Para salvar o capitalismo dos capitalistas, como resumiu o "Financial Times", Piketty propõe um imposto mundial sobre o capital. Mas acha que há muito a fazer antes, em termos nacionais, para imposição de um verdadeiro imposto progressivo sobre a renda e as heranças.
Leia, a seguir, trechos da entrevista.
Valor: O senhor é chamado de guru dos críticos das desigualdades, Marx I, economista "rock star". Como reage à repercussão de seu livro?
Thomas Piketty Para mim está bem, se isso tudo incita as pessoas a lerem o livro e façam um debate mais baseado em fatos sobre a desigualdade. Depois podem tirar as conclusões que quiserem. Se o livro faz sucesso é porque oferece, pela primeira vez, uma história do dinheiro, da renda, do patrimônio que se apoia em fontes históricas numerosas e precisas. É o resultado de um projeto de coleta de dados, de muitas pessoas, em vários países. Procuramos abranger o maior numero possível de países, e isso é novo. As pessoas discutem sobre desigualdades desde sempre e vão continuar, mas a novidade que se tem agora, com o livro, é que se torna disponível uma base histórica longa e melhor, que pode ajudar num debate mais racional. Há gente tanto de direita como de extrema esquerda que faz críticas ao livro, de toda maneira.
Desigualdade pode cair com educação e crescimento econômico, mas taxar patrimônio também é essencial, afirma Piketty
Valor: Até que ponto vai a força desestabilizadora do rendimento privado do capital mais elevado que o crescimento da renda e da produção?
Piketty: Há forças tanto para aumento da desigualdade como para sua redução. O conhecimento, a educação, a qualificação permitem, em certo momento, reduzir as desigualdades, tanto entre países - como entre emergentes e desenvolvidos -, como também no interior de países, se há instituições educativas que permitem a cada um ascender a funções melhor remuneradas. Essa é uma força potente da redução de desigualdades. Mas pode não ser suficiente. Há forças de amplificação das desigualdades, em particular em países de crescimento fraco. No longo prazo, todos os países terão crescimento fraco, pois não dá para crescer eternamente a 5% ou 10% ao ano. A experiência histórica sugere que, quando estamos na fronteira tecnológica mundial, o crescimento se reduz.
Valor: Qual a ordem de grandeza das desigualdades de renda e de patrimônio?
Piketty: Nos EUA, os 10% de rendimento mais elevado passaram de 30% a 35% da renda total para mais de 50% hoje, antes de impostos e transferências. É uma grande mudança. A questão é até onde isso vai. Entre países mais igualitários, como a Suécia em 1985, a renda total foi de 20% ou 25% para os 10% mais ricos. Nos mais desiguais, subiu a 60%. Sobre o patrimônio, a diferença é muito mais extrema e tudo é para o alto. Nos países mais igualitários, mesmo na Suíça, os 10% mais ricos têm 50% do patrimônio. Nos mais desiguais, varia de 80% a quase 100%. Antes da Primeira Guerra, a França achava que, graças à Revolução [Francesa], era um país igualitário. Era uma ilusão. A desigualdade não diminuiu porque cortaram a cabeça da aristocracia. Cerca de 80% do patrimônio estavam nas mãos de 10% mais ricos, não havia classe média. No século XX, o desenvolvimento de uma classe média com patrimônio é a principal fonte de redução da desigualdade nos países desenvolvidos. Acho que hoje temos o mesmo tipo de desenvolvimento possível nos países emergentes. Uma das conclusões do livro é que não há determinismo econômico nesse tema. O desenvolvimento patrimonial da classe média corresponde a acontecimentos históricos particulares, a instituições sociais, políticas, educativas, fiscais. Há várias dinâmicas possíveis. O livro não dá razão nem a Karl Marx nem a Simon Kuznets [economista nascido na Ucrânia, naturalizado americano, morto em 1985, autor das primeiras contas nacionais americanas e das primeira séries sobre desigualdades]. Marx pensava que as desigualdades iriam aumentar até a explosão final. E Kuznets, no extremo oposto, achava que na etapa avançada do desenvolvimento econômico as desigualdades iriam diminuir e se estabilizariam num nível inferior. Os dois estavam errados. Há várias evoluções possíveis que dependem das instituições, às vezes de choques políticos. A Primeira Guerra teve um papel enorme na redução da desigualdade no século XX [na Europa], de maneira trágica.
Valor: Os EUA criaram o imposto progressivo e, no entanto, a desigualdade no país hoje ainda é enorme...
Piketty: Cada país tem uma história complicada de combate às desigualdades, feita de hesitação, recuos, peculiaridades de identidade nacional. Os EUA não queriam ser desiguais como a velha Europa. E criaram nos anos 1920-30 o imposto progressivo sobre os altos rendimentos e sobre a herança, com um vigor fortíssimo. Entre 1930 e 1980, a taxação superior sobre renda nos EUA era de 82%. Não havia nenhum país na Europa ocidental com nível parecido. Na taxação sobre as heranças, a diferença era também espetacular. Nos EUA e no Reino Unido, as heranças mais elevadas eram taxadas em 70-80%, enquanto a França e a Alemanha ficavam abaixo disso. Sob Reagan, os EUA mudaram. Jogaram "ioiô" com seus ricos no século XX. Foram muito redistributivos num momento, quiseram colocar fim à desigualdade extrema e tinham um ideal de sociedade igualitária. Mas nos anos 1970-1980, partiram para a outra direção com o mesmo entusiasmo e o mesmo vigor, e essa é uma das explicações da forte subida das desigualdades e dos supersalários.
Valor: Até que ponto chegará a propagação dessa categoria de supersalários, em contraste com o lento crescimento de ganhos da maioria da população?
Piketty: Há o risco de que outros países, em particular na Europa, sigam o exemplo americano. A Europa é repartida em pequenos países na escala da economia mundial. As sedes de grandes empresas podem facilmente se deslocar de Bruxelas para Amsterdã, aproveitando a concorrência fiscal entre os países. Nesse pequeno território da Europa ocidental, se não houver mais cooperação fiscal, o que vai acontecer é mais concorrência para atrair grandes salários. Por força da globalização, pequenos países - e todos os europeus estão nesse caso - se encontram numa dinâmica bem diferente do que desejariam inicialmente. Atualmente, países europeus aplicam imposto sobre o lucro das empresas menor do que nos EUA, que têm taxa de 35%. Na França, são 33%, mas pode haver uma redução para 30% ou 25%, porque há pressão para baixá-la a 15% ou 20%. A Europa reduz o imposto sobre as empresas, mas aumenta o imposto sobre o consumo, sobre os salários. Tudo isso é absurdo.
Valor: Nos emergentes, o número de pobres diminui, a classe média aumenta, mas os mais ricos continuam ganhando também mais do que antes. As desigualdades que aumentam nos EUA vão se repetir na mesma dimensão nesses outros países, onde a sociedade já é bastante desigual?
Piketty: O livro mostra que a tendência de longo prazo do rendimento do capital superior à taxa de crescimento leva a forte concentração do patrimônio. Parece lógico que essa questão vai se colocar da mesma maneira para os emergentes. Mas isso pode levar tempo. Nos países com forte crescimento, a problemática principal para reduzir a pobreza é o acesso à educação, à formação. Evidentemente, o próprio crescimento é a força principal que permite aproximar os salários daqueles dos desenvolvidos. Já há emergentes, como a China, onde a questão da tributação do patrimônio merece grande atenção, diante da desigualdade de acesso à propriedade imobiliária nas grandes cidades. Não devemos esquecer a estagnação, mesmo a diminuição da população, que se vê na Asia. O aspecto demográfico tem papel importante em meu livro. Quando você vê uma população que diminui 30% na China, o tamanho da geração atual que é menor que a de seus parentes, o patrimônio transmitido por herança torna-se muito importante. No momento, na China e na Rússia a maneira de regular as diferenças muito fortes de patrimônio se dá caso a caso. Toleram os oligarcas quando são dóceis, mas se quiserem fazer política é outra coisa.
Reuters / Reuters
Valor: Ou seja, também nos emergentes os rendimentos mais altos vão continuar obtendo uma parte desproporcional do crescimento da produção, mas enquanto continuarem crescendo bem pode-se atenuar o aumento da desigualdade.
Piketty: Sim, é isso. Se os EUA tivessem tido forte crescimento desde os anos 1980, o aumento da desigualdade teria sido menor e as diferenças seriam mais bem aceitas. A razão pela qual os EUA se inquietam muito é que vimos a alta dos supersalários, da desigualdade, mas não do ritmo de crescimento. No período 1980-2012, o PIB por habitante subiu só 1,5%, em média. Se 3/4 vão para os 10% mais ricos, não resta grande coisa para a classe média. Se o crescimento tivesse sido de 5%, teria sido mais facilmente aceito.
Valor: O senhor é critico do discurso sobre meritocracia, principalmente nos EUA...
Piketty: O discurso sobre meritocracia é exagerado. Os ganhadores no sistema econômico - por exemplo, os que ganham supersalários, procuram justificar-se com base no mérito. Mas, quando comparamos as empresas que pagaram US$ 10 milhões a seus dirigentes, em vez de US$ 1 milhão, e tentamos ver o desempenho dessas empresas, não há nada de excepcional. Acima de certo nível de salários, trata-se simplesmente de captação de renda, o mérito tem pouco a ver. Como digo no livro, é preciso cautela sobre o discurso do mérito, que é uma espécie de corrida entre os altos salários e os altos patrimônios. Os beneficiados por altos salários se justificam dizendo que podem chegar a altos patrimônios sem serem herdeiros. O problema é para os que não são nem uma coisa nem outra. Existe uma forma moderna de desigualdade, que pesa ainda mais para os perdedores do sistema.
Valor: Ao mesmo tempo, o mundo entra numa fase de convergência entre países ricos e pobres?
Piketty: Entre países, sim. Mas são as desigualdades no interior dos países que continuam a aumentar. Se pegarmos os últimos 30 anos, vemos que a parte mais elevada do patrimônio, em termos mundiais, progrediu três vezes mais rápido que o patrimônio médio. Isso não é evidente para muita gente, porque, ao mesmo tempo, há diminuição na distribuição do patrimônio mundial entre a parte média e a parte baixa, graças aos emergentes. Mas a parte alta, os mais ricos, já se distanciam da média. Assim, quando as forças de desigualdade tiverem diminuído na parte baixa, restará a força da desigualdade vinda dos patrimônios mais altos. Muita gente ainda não se dá conta disso, porque continua havendo, com o crescimento dos emergentes, uma forte renovação das elites mundiais, com os novos ricos na China, Brasil, Rússia. É preciso ter em mente que, quando falamos de um PIB mundial que aumenta 3% em 2014, a metade é crescimento da população mundial. Ou seja, uma grande parte do crescimento mundial, da renovação das elites, é esse aumento da população. Mas, conforme as previsões da ONU, esse crescimento vai cair a quase zero por volta de 2040. Essa redução demográfica é um fenômeno novo, que pode dar uma importância ainda maior ao patrimônio e à herança do que no passado.
Valor: Ou seja, as heranças vão ter um peso maior nas economias no futuro...
Piketty: Sim, em sociedades com população estagnando ou declinante, o peso da herança poderá mesmo superar o que havia nas sociedades europeias do século XIX. E muito depende da demografia.
Valor: Com a enorme acumulação de riqueza, quem vai possuir o mundo no futuro: os fundos soberanos dos paises produtores de petróleo ou a China?
Piketty: Sou incapaz de dizer quem vai possuir o mundo em 2050. Mas é certo que, com o nível de acumulação dos fundos soberanos, as coisas podem ir muito rápido. A acumulação é gigantesca, sobretudo como efeito dos rendimentos elevados, de 5% a 7% por ano, comparados ao crescimento de 1% a 2% da economia dos países ricos. A Noruega [com fundo soberano de US$ 700 bilhões] vai se tornar um país de rentistas. Mesmo quando esse país não tiver mais petróleo, os rendimentos de seu fundo soberano no estrangeiro vão representar muito mais que toda sua produção industrial e todas suas exportações de bens e serviços. Isso é bastante perturbador para uma identidade social-democrata. A Noruega é um pequeno país, mas se pegarmos o conjunto dos paises produtores de petróleo, e a China, com reservas de quase US$ 4 trilhões, sem dúvida há uma dinâmica de repartição do patrimônio, em nível mundial, bastante explosiva. Se não houver uma regulação coletiva que permita, já agora, ter mais transparência sobre quem possui o quê, o risco de reação nacionalista poderá ser bastante forte.
Valor: Sobre emergentes, aliás, o senhor fala de "buraco negro" sobre informações de repartição de riqueza...
Piketty: É verdade que, no caso do Brasil, há muita dificuldade para se ter dados sobre a renda. Uma lição disso é que o imposto é também um instrumento de transparência democrática. Quando você não tem mais imposto progressivo, ou mal administrado, perde a fonte de informação e limita a capacidade da sociedade de conhecer a si mesma. E isso alimenta os fantasmas. Conhecer bem os altos rendimentos ou patrimônios não é para cortar cabeças, mas sim para tentar soluções pacíficas, racionais. Porque, no fundo, mesmo nos paises mais desiguais, não é suficiente taxar mais os altos patrimônios, fazer os ricos pagarem, para resolver o problema.
"A concentração de capital pode chegar a um nível que será ameaçador para o funcionamento das instituições democráticas"
Valor: Como o senhor vê um país onde os 10% mais ricos tinham 42% da renda em 2012, enquanto 13,3% cabiam aos 40% mais pobres, e a renda real do trabalho do 1% de mais ricos era 87 vezes superior à dos 10% mais pobres?
Piketty: É o Brasil, é isso? O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Uma das lições da história do século XX nos países ricos é que não se precisa de desigualdade acentuada para ter desenvolvimento. O tipo de desigualdade extrema que havia na Europa antes da Primeira Guerra era simplesmente inútil. A França criou o imposto de renda unicamente para financiar a guerra contra a Alemanha em 1914, não para financiar as escolas. A extrema concentração de riquezas fazia com que o processo político fosse capturado pelos detentores dos altos patrimônios. Hoje, há a mesma inquietação nos EUA sobre o financiamento das campanhas eleitorais.
Valor: Sua proposta de imposto mundial sobre o patrimônio provoca muito debate. Como seria essa taxação?
Piketty: Antes de chegar a isso, pode-se fazer muita coisa em nível nacional. Nos EUA e na Europa, há tributação sobre o patrimônio, em geral na forma de impostos sobre a terra, mas não se levam em conta ativos financeiros. O que se poderia fazer é adotar um imposto progressivo sobre o patrimônio livre de dívida. Se um apartamento custa € 400 mil, por exemplo, mas tem uma divida de € 390 mil, o imposto seria bastante reduzido. Em contrapartida, a taxa sobre o patrimônio mais importante aumentaria um pouco mais. O objetivo não é aumentar o total do imposto sobre o patrimônio, mas torná-lo mais progressivo, para permitir a participação da classe pobre e média no patrimônio nacional e limitar a concentração entre as classes altas. Depois, seria necessário ir mais longe. Mas seria necessária mais cooperação internacional. A União Europeia e os EUA negociam um tratado comercial, e acho que nesse tratado seria importante incluir uma base comum de tributação sobre empresas, e o registro de títulos financeiros. É preciso proceder por blocos. Os EUA têm um quarto do PIB mundial, a Europa outro quarto, a China 20%... A novidade de meu livro sobre isso é que, se não tivermos um objetivo fiscal, com taxa mínima de tributação de ativos financeiros transfronteiras, toda a discussão no G-20 sobre a área fiscal não vai a lugar nenhum.
Valor: Mas o G-20 já avançou sobre troca automática de informações entre os fiscos (os bancos serão obrigados a facilitar o acesso aos dados pelos fiscos nacionais). Vai nessa direção, não?
Piketty: Sem dúvida. Há cinco anos, dizia-se que isso era impossível. Os bancos suíços só avançaram sob a ameaça de sanções americanas. Muita gente me diz que um imposto mundial é utópico. Eu não me impressiono com quem sabe de antemão o que vai acontecer ou não. A história dos rendimentos, do patrimônio, de impostos é cheia de surpresas. Eu tento contribuir para esse debate colocando em perspectiva uma reflexão sobre o imposto justo. E a transparência do patrimônio e do imposto é muito importante.
Valor: Qual o papel da inflação na dinâmica de repartição de riquezas e na desigualdades?
Piketty: Essa é uma questão muito importante. Prefiro o imposto progressivo sobre o patrimônio privado porque a inflação acaba afetando todo tudo e mais duramente os pequenos poupadores. Cada país tem sua própria história com a inflação. A experiência europeia com a inflação foi muito dolorosa. Permitiu à França e à Alemanha extinguir sua divida pública após a Primeira Guerra Mundial. Mas se destruiu grande parte da poupança privada, sobretudo a popular. A zona do euro foi construída em parte com essa ideia de não termos mais inflação. Mas sem inflação, e tendo uma grande divida publica, serão necessários 30, 50 anos para reduzir significativamente a divida só com austeridade. Para quem me diz que não é realista um imposto sobre o patrimônio privado, indago se é realista considerar 30, 50 anos de austeridade. Certos paises emergentes aceitam um nível de inflação, o que tem pelo menos o mérito de reduzir mecanicamente a dívida pública. Mas é claro que com inflação e, ao mesmo tempo, taxa de juro alta, tampouco se resolve.
Valor: Concluindo, o mundo vai na direção de acumulação infinita de capital?
Piketty: Não. No meu modelo teórico, a concentração do patrimônio vai parar, mas em nível muito elevado. Até onde vai? Nos últimos 30 anos, os patrimônios mais elevados cresceram três vezes mais rápido que o tamanho da economia mundial. É uma enorme concentração de capital. E pode chegar a um nível tão mais elevado, comparado a hoje, que será ameaçador para o funcionamento das instituições democráticas. Mas, em caso de crescimento econômico elevado, seria possível equilibrar o rendimento do capital e a desigualdade pararia em nível aceitável. Só que, em vez de esperar que essa inacreditável coincidência se produza, é melhor preparar um plano B, regular essa dinâmica. Não há piloto no avião nessa história.
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sábado, 17 de maio de 2014

TERRORISTAS, QUEM SÃO>

Depois da NSA acabou... nem quero saber. Se vc não liga pra isso, acha que é em nome da democracia, então......cuidado com vc, se tornou agente deles.

domingo, 4 de maio de 2014


SÍRIA - UM CESSAR-FOGO
Deveria se declarar paz e fim da guerra civil na Síria e se algum grupo ou algum títere se negar deveria ser preso, seu grupo atacado e ele preso.  Em nome da humanidade, colocar um fim à guerra fratricida, formar um governo de coalizão até eleições em que todos possam participar, para a reconstrução do país. Não faz sentido aquele morticínio e a ONU tem de decidir isto.
Fazer um ataque aereo e impor um cessar fogo, formar um governo provisório para a reconstrução do país com a participação de todos até se convocar eleições gerais livres com a participação de todos. É o melhor que poderia acontecer para todos.
5.5

Assim como foi o iluminismo q levou às revoluções e emancipações nos países ocidentais. Não foi a religião.
6.5.14